
Procurei teu número na minha agenda telefônica, não achei. Então fui atrás da sua amiga, aquela que também gostava muito de mim… Pois bem, pedi o seu endereço para ela. Juntei algumas economias, coloquei algumas roupas em minha mochila e parti em sua busca. Em busca do filho da puta que destruiu à minha vida. Foram horas dentro daquele ônibus barulhento e desconfortável. Mal consegui dormir por causa das estradas mal feitas, com seus buracos e pedras. Estava tão nervosa e estupidamente me perguntava que diabos estava fazendo ali, indo em caminho para alguém que nem eu mesma sei se existe. Devo estar louca. Depois de horas sem dormir, sem comer direito, horas só pensando como seria o tal encontro, se é que teria algum encontro. Espero que eu não tenha vindo em vão, esse era o meu pensamento, ao caminhar rapidamente pelas ruas, em busca do endereço em minhas mãos. Ao chegar ao lugar, meus pés fincaram no chão, minha boca ficou seca juntamente me deixando sem voz, meu coração só faltava sair pela minha boca em direção à ele. Respirei fundo e bati palmas. As palmas ecoavam em minha cabeça, fazendo surgir uma dor de cabeça insuportável. Uma mulher de idade mais ou menos me atendeu, reconheci ela, a mãe dele, minha sogra, ex sogra… Lhe expliquei que estava atrás de seu filho e disse também quem era. E para minha surpresa ela sabia quem eu era. Fiquei instalada no quarto ao lado do dele, comi algo que a mulher me ofereceu e entrei de fininho no quarto dele. Pude sentir o seu cheiro, toquei em sua cama, nas suas roupas. Afinal, ele era real. Deixei um sorriso brotar em meus lábios e uma lágrima teimosa escorrer pelo meu rosto, eu estava feliz. Ele chegaria provavelmente á noite. Por isso fiquei o dia todo ajudando a mãe dele na casa, não que fosse alguma obrigação e sim, porque eu queria, afinal, eu estava na casa dela, deles… Logo escureceu e decidi dar uma volta até a praça que no qual ele tanto falava, era perto de sua casa, apenas alguns minutos. Me arrumei e caminhei até lá, com os olhos ao redor e observando tudo que acontecia perto de mim. Tinha muitas pessoas, som alto e bebidas. Peguei apenas um copo de cerveja, e fiquei ali o procurando naquela multidão. E eu o encontrei. Com uma loira, com um corpo bem bonito, mas seu rosto não era tudo aquilo. Estavam aos beijos, me senti mal, uma intrusa e fora de órbita. Eu não devia estar ali. Não daquele modo. Ele pareceu olhar dentro de meus olhos e perceber algo, ou até mesmo me reconhecer, ilusão, era óbvio que ele não iria me reconhecer. Deixei meu copo cair e sai correndo em direção à casa dele. Casa dele. Que irônico. Me esconder no único lugar que de certo modo é o pior lugar no momento. Entrei sem fazer barulho algum, não queria dar dor de cabeça para ninguém. Os pais dele e sua irmã foram uns amores comigo, me acolhendo aqui e eu não podia abusar mais de sua bondade. Arrumei minhas coisas e só iria esperar amanhecer para ir embora. O quanto mais rápido eu fosse, melhor. Só que eu não esperava que no meio da madrugada alguém fosse invadir “meu” quarto.
- O que você está fazendo aqui? - Abri meus olhos rapidamente, me agarrando ao lençol que me cobria o corpo. Respirei fundo e não respondi. - Eu te vi, lá na praça, como me achou? Como veio parar aqui? E por quê?
- Se quiser, eu vou embora agora. - disse me levantando da cama, sem perceber que estava com um pijama curto e que lhe fez soltar um sorrisinho maroto. Safado, como sempre.
- Mel… Por favor. O que veio fazer aqui? - perguntou se aproximando e se sentando na beirada da cama.
- Eu quis, quis te ver Pedro. Meu deus, eu sei que é uma loucura enorme. Ainda mais aparecer do nada aqui na sua casa, me instalar aqui como se eu já fosse uma antiga amiga da família, me desculpa. Eu não tinha esse direto… - Eu não parava mais de falar e só percebi que ele estava perto de mim, quando senti sua mão em meu rosto.
Olhei para o seu rosto, tentando o enxergar no escuro. Acendi o abajur que tinha ali na cabeceira da cama, a luz era fraca e dava para ver perfeitamente o rosto dele. O rosto que eu via nas fotos, que eu sonhava, que eu amava. Estava ali na minha frente, poucos centímetros de mim, eu o encontrei, finalmente. Sorri para ele e foi tão involuntário que ele retribuiu, ainda fazendo carinho em meu rosto, que já estava começando a ficar vermelho. Não que desse de se ver.
- Você fala demais. - disse ele, como antes.
- Você já me disse isso, um dia. - o lembrei.
- Agora é diferente. Você está aqui, neném.
Antes que eu pudesse respondê-lo, ele grudou seus lábios nos meus, sentindo pela primeira vez o gosto dos lábios dele, sentindo o calor do corpo dele, sentindo ele. Agarrei em seus cabelos curtos, e arranhando levemente sua nuca. Como eu sonhei com esse beijo, como eu sonhei com cada toque. Ele foi me deitando lentamente na cama, beijando meu pescoço, minha barriga, meus lábios novamente e sussurrando em meu ouvido que eu era dele e sempre fui. No momento eu esqueci de todas as brigas que tivemos, de todos os términos, das ofensas, de todas as coisas ruins. Só me concentrei nele e em mim, em nós. Naquele nosso momento que foi tão aguardado por ambos, eu estava sendo dele finalmente, de verdade pelo menos. Mesmo que eu nunca mais o visse, eu poderia afirmar que eu fui dele, assim como ele foi meu. Não importa se dure o nosso para sempre ou que seja apenas hoje, eu estou feliz. É isso que importa não é mesmo? Assim que nos amamos, eu repousava em seu peito nu.
Sábado, 5:47 da manhã.
- Vai fazer o que amanhã?
- Vou ir embora.
- Vai sair da minha vida tão rápido assim?
- Você já fez isso comigo também, esqueceu?
- Quer discutir sobre isso?
- Não… Agora não.
- Então para de falar e me beija.
- Você quer que eu fique aqui?
- Quero.
- E se eu não quiser?
- Eu te amarro nessa cama, te algemo, mas embora para longe de mim você não vai, nunca mais.
- Eu te amo.
- Eu te amo mais.
- Não, eu amo bem mais neném. Melissa Barbosa (defectiv-e)
— Caio Fernando Abreu (via voceeumapartedemim)
— Nathalia V. (via maisumnasociedade)